Conversas, risadas e lembranças.


Quando nos deparamos com aquelas festas em família e todas aquelas tias começam contar da infância na década de 50 e das brincadeiras que elas faziam. E temos aquele espanto quando somos surpreendidos pela resposta “Passávamos a tarde lendo gibi, escutando radio e jogando tamborete”.
Escutar esse tipo de depoimento nos aproxima da matéria que estudamos “historia dos quadrinhos”, a “era do radio” e o “cinema”, e passamos a analisar a vida de nossos pais, tios, avós, etc. E então entendemos que além de uma busca no google, sobre as divas do radio, perguntar para as pessoas que vivenciaram isso, pode ser uma experiência mais agradável e muito educativa.
Como foram possíveis tantas mudanças, que nem tamborete as crianças na rua brincam. E então a cena se forma em nossa cabeça, imaginamos uma trilha sonora apropriada no tipo de The Platters em um bairro de classe media sem muitos prédios com carros antigos. E depois de imaginar tudo, podemos perceber o porquê era tão agradável apenas sentar na varanda da casa com os amigos e ler histórias em quadrinhos.
Uma época que na televisão ainda não existiam programas dedicados só para crianças, o vídeo game nem era sonhado e escutando o radio, mulheres se apaixonavam pela bela voz do protagonista da radio novela.
Tentar imaginar esse tipo de infância hoje é algo tão distante, talvez elas só existam nas doces lembranças dos mais antigos, quando festas em família nos deixarem nostálgicos por aquilo que não vivemos, mas que gostaríamos de ter vivido.

Vizinhos, talvez?

No mundo da imaginação descobrimos a história em quadrinhos, que na verdade é o misto do cinema com os livros, mas tudo bem misturado e ao alcance de nossas mãos com nossos heróis favoritos. Alguns com visão raio-X, super força, elasticidade, as vezes são até verdes, prateados, ou então usam figurinos nada confortáveis. Para nós reles mortais. Porque certamente o Homem-Aranha nunca reclamaria de seu apertadíssimo traje.
E assim como todas as histórias contadas, nos identificamos com elas, e a partir das primeiras paginas tomamos o mundo deles como nosso para a imaginação não há limites, e isso não nos torna loucos. Que mal há ter uma conversa com a Pantera Cor de Rosa, abrir a bolsa do Gato Felix ou então comer lasanha com o Garfield.
Imagine a confusão se colocássemos todos os personagens na mesma historia. Tenha certeza que boa coisa não seria. Começado que os gênios de Gato Felix, Pantera Cor de Rosa e Garfield não iam combinar e tudo ia sobrar para o passarinho Woodstock do Snoopy.
O Tintin certamente iria ter pequenos atritos com o Super Homem, porque o Tintin sempre ia conseguir resolver tudo, e não tendo nem um terço de todos os poderes do Homem de Aço. Acredito que a briga de ego iria ser terrível. Ou talvez não, talvez todos eles ficassem amigos, dariam grandes churrascos e seriam vizinhos.
Nos filmes, projetamos na tela, nos livros cabe a nós imaginar toda a historia, mas quando as revistas em quadrinhos começam mostram um novo jeito de ler, desenhar e de criar.
Até hoje lembramos dos heróis das nossas infâncias, das historias que acompanhávamos, nos espelhamos neles e secretamente gostaríamos de ter alguns de seus poderes.



Histórias que nos encenam.

Quantas vezes pensamos: O que influenciou os movimentos artísticos? Quais tendências influenciaram os pintores? Que filósofos nos inspiram? E esquecemos que, nós assim como eles, também somos influenciados. Que as tendências de arte, moda, dentre outras também norteiam nossas vidas. E o cinema tão presente na vida moderna também nos inspira.

Você caro leitor já parou para pensar quem você seria nos filmes. A mocinha sempre perseguida pelos malfeitores, mas que no final sempre conseguia o “foram felizes para sempre”, o rapaz rebelde nos moldes de James Dean em Juventude Transviada ou talvez apenas você, mas, com mudanças no seu ponto de vista ao final de um documentário sobre os pingüins imperiais.


De todas as artes talvez o cinema seja a mais forte e presente na vida do ser humano. Através das lentes de uma câmera momentos foram eternizados. Quem nunca desejou dançar sob a chuva cantando como Gene Kelly em Dançando na Chuva ou mesmo que nunca tenha visto um filme sequer de Charles Chaplin, reconheça o seu mais famoso personagem (Carlitos).

Brincar de deus, mesmo que seja por alguns instantes, mesmo que seja de mentirinha, mas por alguns segundos ter o controle sobre o final da história, poder seguir a estrada de tijolos amarelos e ver o mágico de OZ.
Talvez seja isso que encante as pessoas no cinema. Poder escolher o final das historias e seus mais loucos caminhos, e conseguir se identificar nos enredos. Assistir a própria vida como espectadores e não como protagonistas. Coisas que apenas a magia do cinema é capaz de fazer.