That´s All Folks

Tentamos criar a loucura, a junção de tudo. Queríamos achar o sentido e ao mesmo tempo perdê-lo. Fazer comparações malucas e analisar o óbvio, que às vezes, nem era tão óbvio assim. Descobrir as várias faces de nós mesmos.
Sempre buscando ultrapassar os limites, quem não sabia mexer no programa, aprendeu, quem não escrevia, escreveu e os desenhos brotavam como nunca antes brotaram, como se eles tivessem presos entre os dedos e enfim, encontrado o caminho.
Mesmo com a loucura, o personagem surgiu perdido na vida, descobriu que fazer o que gostava, faz toda diferença, mesmo que fosse apenas para vender na barraquinha do Run Hot Dog. Fazemos o que gostamos, e isso não significa que sempre somos 100% felizes ou bem sucedidos nas tentativas, mas no final não importa se temos que recortar mil quadradinhos pra chegar lá...
O texto vai ficar inacabado. Quem disse que tudo tem que ter um fim.
Esse é só o começo.
Até Agosto.

Conversas, risadas e lembranças.


Quando nos deparamos com aquelas festas em família e todas aquelas tias começam contar da infância na década de 50 e das brincadeiras que elas faziam. E temos aquele espanto quando somos surpreendidos pela resposta “Passávamos a tarde lendo gibi, escutando radio e jogando tamborete”.
Escutar esse tipo de depoimento nos aproxima da matéria que estudamos “historia dos quadrinhos”, a “era do radio” e o “cinema”, e passamos a analisar a vida de nossos pais, tios, avós, etc. E então entendemos que além de uma busca no google, sobre as divas do radio, perguntar para as pessoas que vivenciaram isso, pode ser uma experiência mais agradável e muito educativa.
Como foram possíveis tantas mudanças, que nem tamborete as crianças na rua brincam. E então a cena se forma em nossa cabeça, imaginamos uma trilha sonora apropriada no tipo de The Platters em um bairro de classe media sem muitos prédios com carros antigos. E depois de imaginar tudo, podemos perceber o porquê era tão agradável apenas sentar na varanda da casa com os amigos e ler histórias em quadrinhos.
Uma época que na televisão ainda não existiam programas dedicados só para crianças, o vídeo game nem era sonhado e escutando o radio, mulheres se apaixonavam pela bela voz do protagonista da radio novela.
Tentar imaginar esse tipo de infância hoje é algo tão distante, talvez elas só existam nas doces lembranças dos mais antigos, quando festas em família nos deixarem nostálgicos por aquilo que não vivemos, mas que gostaríamos de ter vivido.

Vizinhos, talvez?

No mundo da imaginação descobrimos a história em quadrinhos, que na verdade é o misto do cinema com os livros, mas tudo bem misturado e ao alcance de nossas mãos com nossos heróis favoritos. Alguns com visão raio-X, super força, elasticidade, as vezes são até verdes, prateados, ou então usam figurinos nada confortáveis. Para nós reles mortais. Porque certamente o Homem-Aranha nunca reclamaria de seu apertadíssimo traje.
E assim como todas as histórias contadas, nos identificamos com elas, e a partir das primeiras paginas tomamos o mundo deles como nosso para a imaginação não há limites, e isso não nos torna loucos. Que mal há ter uma conversa com a Pantera Cor de Rosa, abrir a bolsa do Gato Felix ou então comer lasanha com o Garfield.
Imagine a confusão se colocássemos todos os personagens na mesma historia. Tenha certeza que boa coisa não seria. Começado que os gênios de Gato Felix, Pantera Cor de Rosa e Garfield não iam combinar e tudo ia sobrar para o passarinho Woodstock do Snoopy.
O Tintin certamente iria ter pequenos atritos com o Super Homem, porque o Tintin sempre ia conseguir resolver tudo, e não tendo nem um terço de todos os poderes do Homem de Aço. Acredito que a briga de ego iria ser terrível. Ou talvez não, talvez todos eles ficassem amigos, dariam grandes churrascos e seriam vizinhos.
Nos filmes, projetamos na tela, nos livros cabe a nós imaginar toda a historia, mas quando as revistas em quadrinhos começam mostram um novo jeito de ler, desenhar e de criar.
Até hoje lembramos dos heróis das nossas infâncias, das historias que acompanhávamos, nos espelhamos neles e secretamente gostaríamos de ter alguns de seus poderes.



Histórias que nos encenam.

Quantas vezes pensamos: O que influenciou os movimentos artísticos? Quais tendências influenciaram os pintores? Que filósofos nos inspiram? E esquecemos que, nós assim como eles, também somos influenciados. Que as tendências de arte, moda, dentre outras também norteiam nossas vidas. E o cinema tão presente na vida moderna também nos inspira.

Você caro leitor já parou para pensar quem você seria nos filmes. A mocinha sempre perseguida pelos malfeitores, mas que no final sempre conseguia o “foram felizes para sempre”, o rapaz rebelde nos moldes de James Dean em Juventude Transviada ou talvez apenas você, mas, com mudanças no seu ponto de vista ao final de um documentário sobre os pingüins imperiais.


De todas as artes talvez o cinema seja a mais forte e presente na vida do ser humano. Através das lentes de uma câmera momentos foram eternizados. Quem nunca desejou dançar sob a chuva cantando como Gene Kelly em Dançando na Chuva ou mesmo que nunca tenha visto um filme sequer de Charles Chaplin, reconheça o seu mais famoso personagem (Carlitos).

Brincar de deus, mesmo que seja por alguns instantes, mesmo que seja de mentirinha, mas por alguns segundos ter o controle sobre o final da história, poder seguir a estrada de tijolos amarelos e ver o mágico de OZ.
Talvez seja isso que encante as pessoas no cinema. Poder escolher o final das historias e seus mais loucos caminhos, e conseguir se identificar nos enredos. Assistir a própria vida como espectadores e não como protagonistas. Coisas que apenas a magia do cinema é capaz de fazer.

Prédios, viadutos e memórias




Depois de ter aberto as gavetas e de ter brincado com a arte o design e tudo que nos envolve, vem o desafio, será que fora dos livros conseguimos aplicar tudo aquilo.
No centro de São Paulo alguns prédios de época ainda sobrevivem à modernidade e a falta de memória paulistana. “Tudo pelo progresso”, e nesse lema algumas obras incríveis são substituídas por arranha-céus de vidros.
Antes que se percam talvez devêssemos apreciar mais o viaduto do Chá, além de ser um dos caminhos para 25 de março, ele é um dos exemplos de Art Deco em São Paulo, originalmente construído 1892, mas com o aumento do trafego e do crescimento da cidade ele teve que ser reconstruído em 1938, data-se daí o novo Viaduto do Chá, projetado por Elisário Bahiana. Com linhas simples e em concreto armado é um dos exemplos mais vivos de art deco na capital paulistana.
Outra parte de uma historia viva no cotidiano, é o viaduto Santa Efigênia que demorou uma década para ser construído. Inaugurado em 26 de setembro de 1913. Com características art nouveau da belle époque do inicio do século.Quando andamos nas ruas não percebemos que elas também são livros abertos que é mais fácil procurar a arte perto de nos do que sempre ver exemplos em livros.

Palavras soltas e desabafos de outros.

Por que temos a péssima mania de querer transformar movimentos artísticos como se fossem formulas de física?Acabou um, começou outro, abre e fecha a fenda temporal, “é a vez do Rococó” e tudo automaticamente se enche de volutas e ornamentações exageradas. Como um grande livro cheio de tópicos e distinções. Tudo bem que é pra facilitar a vida do estudante, mas no fundo transformamos nossa cabeça em um grande gaveteiro e cada conhecimento tem seu devido lugar. Não quero mais gavetas, quero baús daqueles que perdemos os pensamentos enrolados no teorema de Pitágoras. Esquecemos que por traz das obras de arte existem pessoas e que elas, assim como nos, são resultados de transformações diárias. As transições são tão ricas quanto os próprios movimentos, por que nelas podemos ver o homem ousando em ser diferente, um homem que não estava satisfeito com ordens vigentes e tentava buscar novas técnicas que o deixa-se confortável.Certo que alguns até exageram na dose, Chagall, por exemplo, não seguia o calendário normal, não que ele tenha feito isso para fazer tipo, e sim para seu conforto. Se chagall queria começar seu ano depois das festas de inicio de ano que mal há.Para os mais desavisados o começo do século XX foi um grande caos, onde tudo aconteceu, guerras mundiais, revolução russa, revolução chinesa, estado novo de Vargas, quebra da bolsa de Nova York, etc.As vanguardas que faziam à arte, cinema e literatura nessa época, talvez nunca mais se repitam, não por falta de competência nossa, mas por falta de contexto, naquela época tudo mudava tínhamos acabado de sair do século XIX, e as maquinas começavam a substituir o homem e o capitalismo achava seu grande companheiro, a indústria.Tudo cheirava novos ares, se era hora de romper com tradições era o momento certo. E assim os muros foram caindo. Não pense você caro leitor que todos concordaram e admiraram o que havia por vir, criticas eram constantes aos modernistas brasileiros, por exemplo, as platéias no teatro municipal não sabiam como agir no poema “os sapos” de Manuel bandeira, declamado por Ronald de Carvalho, decidiram quachar. Artistas foram condenados por Hitler, o salão dos renegados serviu de exemplo para a população do que não era considerada arte. Chagall pintor recorrente neste blog teve suas obras expostas no salão. Van Gogh não vendeu nenhum quadro quando era vivo. Isso tudo para mostrar que não foi tão simples romper barreiras, não foram mudanças indolores. Depois de todo desabafo chega à hora de abrir as gavetas e entulhar tudo dentro dos baús, sem medo de se perder, conseguir unir todo o conhecimento vira desafio. Brinque na loucura, não tenha medo de não saber todas as características do rococó, a partir do momento que você entende homem o movimento se decifra.

Aconteceu...

Livros nas prateleiras. Seção historia da arte. Lê-se o índice. Passa-se o dedo sobre o Cubismo, “Ah sim o Cubismo de Pablo Picasso e sua turma acabando com a perspectiva”. E isso basta para a maioria de nós. Esquece-se de ir além, pequenas explicações satisfazem o homem moderno. O conhecimento como remédio homeopático.
As duas primeiras décadas do século XX representam momentos contraditórios, cheios de conflitos e rupturas em relação a muitos dos valores e idéias do século anterior. Todos os setores sofrem profundas alterações na visão de mundo do homem moderno.
Depois de tantas transformações e conflitos não é de se estranhar que a arte buscava um novo ponto de vista. A arte como um todo não se desvincula de seus criadores. E o contexto histórico se torna o grande palco.
A dissolução da perspectiva fica a cargo dos cubistas, ao mostrar o objeto de diferentes pontos de vista, nenhum deles possui uma importância exclusiva. Assim as três dimensões renascentistas, se juntam a uma quarta dimensão - o tempo.
Sim, a simultaneidade da loucura de nossos dias invade a arte, toma conta da vida, não estranhamente nessa mesma época Einstein começa seus estudos sobre a teoria da relatividade. Paralelamente aos cubistas, o dinamismo plástico dos futuristas italianos também buscou a simultaneidade.
Com o quadro Lês demoilles d`Avignon, Picasso deu o inicio ao cubismo, em torno dele e do poeta francês Apollinarie formou-se um grupo de artistas e escritores que trocavam experiências. Pintores com idéias filosóficas, escritores com idéias artísticas. Inspirados por Cézanne os cubistas reagem contra o predomínio exasperante da luz e da cor, procurando devolver a pintura suas bases clássicas de composição e forma.
Os futuristas queriam mudar o mundo, escreveram mais de 30 manifestos, que conseguiam chocar por seu caráter violento e radical. Embora lançado na França, Marinetti tinha em vista principalmente a Itália, seu país natal, Por meio da exaltação a maquina e à velocidade e a rejeição do velho. O escritor queria romper com a estagnação cultural e econômica de seu país e assim promovia o espírito da modernidade para levar a Itália ao desenvolvimento. No fundo Marinetti era um nacionalista. Algumas de suas idéias anteciparam aquilo que viria ser o fascismo nas décadas seguintes.
Movimentos como o cubismo e futurismo, não são avulsos aos fatos que permeiam a vida de seus criadores. Não foram gerados apenas para contrariar, fazem parte de visões de mundo e de adaptações das mudanças de um século que evoluiu no descompasso fazendo os mais desavisados se perderem em meio à loucura de novos tempos.

Primeiras palavras.

Que Van Gogh era considerado louco por ter cortado sua orelha todos já sabem. Mas existe uma linha ténue entre a loucura e a criatividade dos grandes génios. Excentricidade a partes é claro. Platão já considerava a arte uma espécie de loucura divina, que acometia as pessoas criativas. A semelhança entre a loucura e a criatividade está na maior predisposição a estímulos externos.

Os impressionistas foram recebidos com desprezo pelos críticos da época, considerados loucos. Gostaríamos de saber o que eles diriam de Duchamp e os Dadaístas, quando derrubaram todos os conceitos do que era considerada arte.

Claro que muitos dos movimentos tinham o interesse de chocar o público, ou apenas mostrar a alma humana através das cores, tal como Gauguin precisava pintar as areias de rosa para expressar sua emoção.

No final a arte e o homem, criatividade e a loucura, fazem parte dos retratos da alma, quebrar barreiras e tentar achar o novo é o interesse do homem. Se não fosse a busca pela cor dos Fauvistas, das máquinas com o futurismo e todas as negações Dadaístas não teríamos a arte, nem muito menos o design, recombinação do velho, deixar o id rolar atrás de novas ideias é nosso objetivo. Esse é o começo do blog, uma mistura de tudo, porque nada acontece sem contexto na história.

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